30.11.06
Novamente um código de barras...
Acompanhei, faz algum tempo, uma pessoa muito amiga quando esta foi fazer a sua matrícula na Universidade…
Papeis sem fim… número de bilhete de identidade e de contribuinte colocado vezes sem conta… a burocracia habitual!
No final de tudo um último papel que é preciso assinar… achei tão interessante aquele papel… Era uma folha de tamanho A4, normalíssima, cheia de códigos de barras e no final de tudo pedia-se uma assinatura.
Cada vez mais somos um número… um código… e não pessoas com subjectividade, autonomia, dificuldades, sonhos…anseios!
Já tinha abordado este assunto... parece simples mas acho-o muito simbólico!
"Um simples código de barras...
Fui com "um dos meus meninos" às urgências de um centro de saúde e, apesar das contingências, posso dizer que fomos bem atendidos e muito bem tratados.Havia bastante tempo que não recorria a estes serviços e por isso surpreendeu-me uma novidade! Agora colocam no pulso dos doentes, depois do rastreio inicial, uma pulseira autocolante com um código de barras.Podem dizer me que utilizam este procedimento como forma de organização e podem até argumentar com uma maior eficácia, rapidez e qualidade no serviço prestado... No entanto, por limitação minha de certo, não consigo deixar de pensar na desumanização das pessoas... Cada vez mais somos um número e não uma pessoa. Qualquer dia implantam-nos um chip e deixamos de ter nome e subjectividade... Seremos um registo informático… um simples código de barras! "
No blog: Padre To Carlos
28.11.06
Banco de crianças
Divulgo aqui umas palavras do Bispo de Viseu, onde se salienta a importância da vida, onde destaco a acção que o governo deve de exercer em apoio e defesa das famílias, e não à destruição ou marginalizarão...
A proposta de referendo prevê que a interrupção deste processo, causando a morte de um ser humano, possa ser a pedido da mulher. Pergunta-se: pode a mulher decidir do seu corpo? Sim, pode. A mulher pode sempre decidir do seu corpo, pela autonomia a que tem direito, para se realizar bem e para se valorizar, como pessoa, na totalidade do seu ‘ser corpo’ e do seu ‘ser pessoa’… Porém, na mulher grávida, existe um outro corpo: autónomo também e independente do seu corpo de mulher. O pai e a mãe são os garantes da vida deste corpo sobre o qual têm “responsabilidade”, mais do que “poder”. As decisões sobre este corpo têm que ser sempre éticas, baseadas nos valores e não na violência e na destruição…
Mas, quem concorda que a mulher seja penalizada? Ninguém quer penalizar a mulher e o Estado deve tornar-se a garantia da realização da mulher e da criança – 2 seres humanos perante os quais o Estado deve intervir em defesa da sua vida e do seu futuro. Porquê não criar condições – tornadas legítimas, conhecidas e apoiadas – para que a mulher que não queira a criança, a entregue e a doe para adopção? Porquê não criar condições para um “banco” de crianças (em vez de outros “bancos” muito mais dispendiosos – de esperma e de embriões), com as inscrições de mães (pais) que as entreguem e pais que as aceitem para adopção? Não seria este um investimento do Estado, no futuro da sociedade e no respeito igual para todos os cidadãos? Ou será a liberalização das leis eliminadoras da vida, a alternativa que o Estado tem para as violências sobre os cidadãos inocentes do nosso país?
Votar SIM no referendo é aceitar esta alternativa como a única; votar NÃO é exigir do Estado e de todos os cidadãos, a defesa justa e a protecção necessária para todos, a começar pelos mais frágeis e pelos mais inocentes.
No blog: Pdivulg
27.11.06
A falta de vocações
Recentemente em conversa com um amigo em Fátima, falávamos sobre a falta de vocações para o Sacerdócio.
Ontem numa reunião da Comunidade Luz e Vida, a que pertenço, que foi precedida da Eucaristia Dominical, na Igreja Paroquial de Albergaria dos Doze, presidida pelo Senhor D. António Marto, Bispo de Leiria-Fátima, que instituiu o Marcelo, (seminarista pertencente à nossa Comunidade), no Ministério de Acólito, (será ordenado Presbitero, se Deus quiser, no final do próximo ano), falou-se novamente do tema das vocações e assim veio à minha memória essa conversa tida em Fátima.
Dizia-me esse meu amigo, que conversando há uns anos com o Padre Emiliano Tardiff, (já falecido), quando ele esteve em Portugal, sobre o assunto das vocações, ele lhe disse surpreendemente o seguinte:
- Diz o meu amigo que é necessário pedir ao Espírito Santo que desperte mais vocações sacerdotais para a Igreja, mas quem lhe diz que não é vontade do Espírito Santo esta "crise" de vocações.
E depois explicou o seu pensamento:
- Sabe nós os Padres, somos muitas vezes "centralizadores", e não deixamos espaço aos leigos.
Assim se houver falta de Sacerdotes, os leigos terão de ser chamados aos Ministérios que eles podem exercer, e também a uma muito maior participação na Igreja, em tantos campos onde é importante a sua participação, o que só pode ser muito bom para a própria Igreja.
Claro que as palavras não terão sido rigorosamente estas, mas este era o sentido do seu pensamento.
Ao referir esta conversa, a um Sacerdote que estava connosco nessa reunião, ele disse-me o seguinte:
- Sabe, na Polónia estão a atravessar uma "crise" ao contrário, ou seja, há tantos Sacerdotes, Religiosos e Religiosas, que são eles que tudo fazem: dão catequese e "ocupam", digamos assim, os "lugares" onde os leigos podem exercer a sua missão, o que acaba por provocar um certo distanciamento dos leigos em relação à Igreja.
Não serão também estas as palavras exactas, que esse Sacerdote me disse, mas a ideia era esta.
Isto deu-me que pensar, e a ti?
Com isto não quero dizer que vou deixar de rezar pelas vocações, continuarei a fazê-lo com toda a perseverança, mas chama-me também a empenhar-me mais na construção da Igreja, a oferecer-me mais, não só fisicamente, mas também intelectualmente, na evangelização de todos nós, a começar por mim.
No blog: Que é a verdade?
As raparigas não o vão largar!
Apesar de não ser esta a ideia inicial para este post, não resisto a contar um episódio engraçado que achei muito pertinente nos dias que correm.Foi ontem, na Eucaristia. Costumo chegar um bocadinho antes da hora da missa e aproveito esse tempinho para reflectir e falar com Deus. Estava eu embrenhada nos meus pensamentos, quando a Dª Maria, que costuma ficar sempre comigo, me bate no braço. Era o padre que estava a chegar.
"- Oh menina, já viu, se deixam os padres casarem ficamos sem padre! Um borrachinho daqueles! Elas não o largam!"
Contive a muito custo uma gargalhada, não estava nada à espera daquele comentário vindo de uma septuagenária tão respeitável. E continuava:
"-Estive a ver aquela notícia na televisão, do Papa deixar os padres casarem, e lembrei-me logo do nosso padre. É que, ainda por cima, ele podia ser assim, mas ser antipático. Mas não é, é uma simpatia, sabe falar tão bem com as pessoas! As raparigas não o vão largar!"
Achei que devia tranquilizar a Dª Maria, e lá lhe disse que o fim do celibato ainda não era para agora, o Papa tinha apenas discutido isso, mas não havia nenhuma mudança de posição.
"- Por mim," - dizia a Dª Maria - "não me faz diferença nenhuma que se casem, eu só não quero perder o nosso padre, que é tão bom para nós!".
"- Não perde, Dª Maria, vai ver que não perde..."
Entretanto começou a chegar mais gente e a conversa ficou por ali...
É engraçado como a maioria das pessoas vê o fim do celibato como forma de ganhar mais vocações, e a Dª Maria pensa exactamente o contrário. Nunca tinha visto as coisas dessa perspectiva...
No blog: Ele está no meio de nós
25.11.06
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