2.6.08

Não sei o que é não ter emprego


As conversas particulares ou são segredos ou são receios ou são confidências. Às vezes são as três em simultâneo. Por isso entrámos no escritório para uma conversa particular. Eu sentado e ela em pé, como que para fugir na primeira dificuldade sem que eu tivesse oportunidade para agarrá-la, e como se a conversa não pudesse ser demorada.
Os pobres de hoje vivem assim, em pé para fugir, para não perder tempo, para não demorar a sensação das dificuldades, para não assumir que se precisa, para que ninguém possa murmurar a pobreza dos seus. Os pobres de hoje, que aumentaram em número e diminuíram o da classe média baixa, têm vergonha de precisar de ajuda.
O sorriso era forçado. Ter de justificar a sua necessidade precisava de um sorriso. Assim como precisava de sorrir para que os filhos sorrissem. Precisava de ajuda. Eu ouvia sem falar. Às vezes não conseguimos mais que ouvir, porque não sabemos as palavras ou gestos certos. E enquanto ela me falava das dificuldades da vida, lembrei-me de um jovem que, em tempos, decidira entrar no Seminário. Lembrei também as minhas gargalhadas quando me contaram que este, questionado sobre os motivos pelos quais queria ingressar no Seminário, respondera que assim tinha a certeza de arranjar emprego. Nada mais desapropriado, mas nada mais acertado. Emprego garantido. Trabalho sem horários definidos, mas sempre garantido. Remuneração indefinida, mas sempre garantida.
Por isso ao ouvi-la, senti-me atado. Estranhamente atado entre uma vida que escolhi por causa de Deus, mas que me facilita a causa dos homens. Reconheço que perante o meu trabalho, esforço e responsabilidade, a remuneração não é a suficiente. Mas perante a vida, os encargos e os outros, sinto-me um privilegiado. Não tenho nada. Porém, não me falta nada que, de facto, faça falta.
Escondi as mãos nos bolsos porque não sabia onde as colocar. Não fazia sentido ter uma mão aberta ou fechada. Não fazia sentido ter uma mão que não pudesse apertar outra. Era mais fácil escondê-la, atá-la, cerrá-la. Quando nos despedimos, retirei-a do bolso e mais o que lá estava. Mas o que é um peixe num mar imenso?! Sobretudo quando não se tem cana de pesca, rede ou barco?!
Claro que ser padre não é um emprego no verdadeiro sentido da palavra. É uma vocação, algo que se vive inclusive durante o sono. Ser padre define-me. Não é um atributo. Mas hoje, ao olhar aquele sorriso forçado, senti-me um privilegiado porque nunca senti o que é não ter emprego.
No blo: Confessionário de um padre

19.12.07

A SERES HUMANOS CHAMAM ILEGAIS!

Não pude acompanhar de perto o caso dos Irmãos que pretendiam ir para Espanha e que acabaram por chegar a Portugal.

Chamaram-lhes ilegais. Como muito bem diz Rui Tavares, «ilegal não é palavra que se chame a um ser humano».

Qual foi o crime que cometeram? Refere ainda Rui Tavares: «Na Europa, há gente que nasce ilegal sem ter cometido nenhum crime».

Teologicamente, isto é insustentável. Deus não deu Portugal aos portugueses, a Espanha aos espanhóis nem a França aos franceses. Deus deu a terra aos homens, a todos os homens.

Onde há exclusão, não há dignidade.

Em tempo de Natal, não podemos deixar de nos indignar. É preciso tornar patente esta inquietação nas nossas palavras, nas nossas mensagens, nos nossos gestos.

Porque Deus é diferente, ninguém pode ser indiferente.

No blog: Theosfera

Natal só tem sentido com Jesus (Bento XVI)


Bento XVI deixou hoje uma forte interpelação aos cristãos de todo o mundo, questionando-os sobre o sentido de celebrar o Natal “sem reconhecer” nessa celebração o nascimento de Jesus.

“Que sentido tem festejar o Natal se não se reconhece que Deus se fez homem? Os cristãos têm de proclamar com convicção a verdade do nascimento de Cristo”. É “um tesouro para todos”.

Num “mundo secularizado”, frisou Bento XVI, conceitos como os proclamados pela Igreja em relação a Jesus “verdadeiro Filho de Deus e verdadeiro Filho do homem” parecem “já não contar muito”. “Prefere-se ignorá-los ou considerá-los supérfluos para a vida, sob o pretexto de que estão de tal forma distantes que acabam por ser praticamente intraduzíveis em palavras convincentes e significativas”.
Há uma “ideia de tolerância e pluralismo para a qual acreditar que a verdade se manifestou efectivamente parece constituir um atentado à tolerância e à liberdade do homem”.

“Quando se anula a verdade, não se torna o homem um ser privado de sentido? Não nos constrangimos a nós próprios e ao mundo a aderir a um relativismo vazio?”.

“Em Belém manifestou-se ao mundo a Luz que ilumina a nossa vida e foi-nos revelado o Caminho que conduz a humanidade à plenitude”.
Fonte: Ecclesia
Tem toda a razão o Papa quando diz que o Natal só tem sentido com Jesus. Não é por causa do Pai-Natal, inventado e promovido pela Coca-cola, pela sociedade de consumo, que há NATAL, mas porque um dia em Belém, nasceu o Menino Jesus.
Agora nalgumas "presépios" deixamos de ver Jesus para vermos o Pai-Natal.
Esquecemos as raízes, as nossas tradições, para assimilarmos outras coisas (desde que não cheirem a cristianismo tudo é bom!!!). Aproveitamo-nos da situação, mas não queremos ir ao mais importante.
Qualquer dia celebraremos tudo menos o NATAL...
No blog:
Padres inquietos

30.11.07

Relatividade


Moisés disse: a Lei é TUDO...

Jesus disse: o Amor é TUDO...

Marx disse: o Capital é TUDO...

Freud disse: o Sexo é TUDO...

...

e veio Einstein e disse: TUDO é relativo...


Pois é!... Bom fim de semana!




No blog: PDIVULG

1.11.07

As raízes de Watson, do ateísmo e do neoliberalismo

“Entre os selvagens, os fracos de corpo e mente são logo eliminados. Nós, civilizados, fazemos o possível para evitar essa eliminação; construímos asilos para os imbecis, os aleijados, os doentes; instituímos leis para proteger os pobres... Isso é altamente prejudicial à raça humana.”(Charles Darwin)

lido na zazie

Já em tempos, curiosamente a propósito do aborto, escrevia Miguel Sousa Tavares que "na natureza, quando não se pode manter a ninhada, são as próprias mães que eliminam algumas crias para as outras poderem sobreviver".

Claro que existem ateus que, felizmente, esquecem a lógica perfeita e coerente do ateísmo e do neoliberalismo, e até são pessoas decentes, mas, infelizmente (porque isto tem imensos custos a médio e longo prazo), esquecem que só a Fé Cristã permite blindar intelectualmente as posições morais decentes.

No blog:
Timshel